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Responsabilidade Técnica IOSC
Dra. Leda das Neves Almeida Sandrin
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INFORMATIVOS Oftalmologia

Novembro é o mês da conscientização do ceratocone



O QUE É?
O ceratocone é uma doença genética rara, de caráter hereditário e evolução lenta. Sua principal característica é a redução progressiva da espessura da parte central da córnea*, que é empurrada para fora, formando uma saliência com o formato aproximado de um cone.


A córnea é uma camada fina e transparente que recobre toda a frente do globo ocular.

A doença se manifesta mais entre os 10 e os 25 anos de idade, mas pode progredir até a quarta década de vida ou estabilizar-se com o tempo. Pode, ainda, atingir os dois olhos de maneira assimétrica, ou seja, afetar mais um olho do que o outro.

QUAIS SÂO AS CAUSAS?
Ainda não se conhece a causa exata da doença, mas, possivelmente, as alterações na superfície da córnea sejam resultado de inúmeros fatores que contribuem para a perda de elementos estruturais dessa membrana e vão desde o decréscimo no aporte de colágeno até o ato de esfregar ou coçar os olhos com frequência. Por isso, o risco de desenvolver ceratocone é maior nos pacientes alérgicos, que sentem muita coceira nos olhos. Ele também está presente em pessoas com Síndrome de Down ou com alterações oculares congênitas, como a catarata e a esclerótica azul (parte branca do olho), por exemplo.


Sintomas
Há casos de pessoas com história da doença na família que apresentam um quadro de ceratocone subclínico, sem sintomas. Quando eles aparecem, porém, variam de acordo com a fase da doença. O mais característico é a perda progressiva da visão, que se torna borrada e distorcida (tanto para longe quanto para perto) e obriga a aumentar com frequência o grau das lentes dos óculos até que a solução é substituí-los por lentes de contato, que podem ser de diferentes tipos.

Outros sintomas incluem
– Sensibilidade à luz (fotofobia);
– Comprometimento da visão noturna;
– Visão dupla (diplopia);
– Formação de múltiplas imagens de um mesmo objeto (poliopia) ou de halos ao redor das fontes de luz.

Tratamento
Nas fases iniciais, quando a deformação da córnea não é grave, o uso de óculos é suficiente para recuperar a acuidade visual. No entanto, à medida que o ceratocone evolui, os óculos precisam ser substituídos por lentes de contato, que ajudam a ajustar a superfície anterior da córnea e a corrigir o astigmatismo irregular provocado pela deformidade.

Outras opções de tratamento, são os anéis intracorneais ou intraestromais, chamados anéis de Ferrara, que são utilizados para regularizar a curvatura da córnea, quando os óculos e as lentes de contato não produzem mais o efeito desejado. Há, ainda, o crosslinking, uma intervenção que tem por objetivo fortalecer as moléculas de colágeno da córnea para evitar que ela continue abaulando. A técnica consiste em raspar a superfície da córnea, para depois aplicar um colírio à base de vitamina B2 (riboflavina) e, em seguida, um feixe de luz ultravioleta.

Embora o ceratocone seja uma causa frequente de transplante de córnea, ele só é indicado em um número pequeno de casos mais graves, quando os pacientes deixam de responder bem às outras formas de tratamento.


Prevenção
Por ser uma doença de caráter genético e hereditário, não se conhecem maneiras de prevenir o aparecimento do ceratocone. Porém, é possível controlar a evolução da doença nas pessoas geneticamente predispostas, corrigindo o hábito de coçar os olhos, tratando a rinite alérgica, as alergias dermatológicas e a asma, por exemplo, que podem causar a coceira. É importante, também, avaliar as condições de adaptação e higiene das lentes de contato, se for o caso.

A data 10/11, foi criada em 2016 pela National Keratoconus Foundation (NKCF) e tem como objetivo principal conscientizar e informar sobre o ceratocone, doença que atinge 1 a cada 2.000 pessoas. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Oftalmolpogia pretende chamar a atenção para o perigo de esfregar ou coçar os olhos, alertando que a desinformação pode prejudicar mais do que a doença, que afeta cerca de 150 mil brasileiros por ano, enfatizando a importância da consulta periódica com um médico oftalmologista, sobretudo se existirem casos de ceratocone na família. O diagnóstico precoce é fundamental para controlar a progressão da doença e preservar a acuidade visual.


Dica: Não coce seus olhos

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Fonte: National Keratoconus Foundation (NKCF) Sociedade Brasileira de Oftalmologia





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